Responsável Técnico: Dr. Gladyston Matioski CRM 21048/PR

Crianças também podem desenvolver problemas na articulação do quadril

É preciso estar atento ao surgimento de quadros que se não tratados, podem gerar doenças graves na vida adulta.


Apesar de serem mais frequentes em pessoas idosas e atletas que praticam atividades de impacto, algumas patologias do quadril podem ocorrer ainda na infância. Como nem sempre elas acontecem por trauma, muitas vezes essas doenças passam despercebidas e acabam gerando problemas mais graves na fase adulta.

Muitos pacientes portadores de artrose de quadril, por exemplo, desenvolveram o quadro em decorrência de doenças não diagnosticadas na infância. Inicialmente, o tratamento da artrose de quadril é feito com uso de medicação e atividades como fisioterapia, pilates e hidroterapia. Porém, quando há encurtamento de membros, dor intensa ou atrofia muscular, pode ser necessária a realização de Artroplastia Total de Quadril (Prótese de Quadril). 

Como o raio-x não é capaz de identificar todas as lesões no quadril, até algumas décadas atrás, o diagnóstico de patologias da infância era mais difícil. Felizmente, com exame de ultrassonografia, hoje em dia o diagnóstico é mais rápido em recém-nascidos e crianças. Ao perceber um estalido no quadril da criança, o pediatra solicita a avaliação de um ortopedista, que poderá realizar exames complementares e, se necessário, iniciar o tratamento ainda no primeiro ano de vida.

A Displasia do Desenvolvimento do Quadril, mais conhecida como Luxação Congênita do Quadril, é uma das doenças mais frequentes em crianças. Nesse quadro, a cabeça do fêmur não fica centralizada no acetábulo (revestimento da bacia). Com desenvolvimento durante fase gestacional ou em decorrência de complicações no parto normal, como o uso de fórceps, a luxação congênita apresenta diferentes níveis de gravidade. Em alguns casos, a cabeça femoral está poucos milímetros fora do centro, porém, existem casos nos quais a criança nasce com a cabeça do fêmur completamente fora do acetábulo.

Os quadros com menor grau de gravidade podem ser resolvidos por meio de um procedimento simples e não invasivo. Ainda no primeiro ano de vida, o especialista em ortopedia do quadril utiliza gesso ou uma correia especial (Aparelho de Pavlik) para manter a articulação do quadril na posição adequada. Entretanto, casos mais graves podem necessitar cirurgia precoce para evitar progressão para artrose de quadril. Quando não tratada, a displasia do desenvolvimento do quadril pode ocasionar artrose do quadril a partir dos 20 anos de idade.

Entre os 4 e 8 anos, as crianças podem adquirir a Doença de Perthes (Síndrome de Legg-Calvé-Perthes), um distúrbio degenerativo causado por problemas de vascularização da cabeça do fêmur. Esse processo leva à osteonecrose, que se caracteriza por morte celular na região.

Vários fatores podem estar associados ao surgimento da doença, porém, existe maior incidência entre crianças do sexo masculino, com excesso de atividade física e quadro de sobrepeso. Quando é possível o diagnóstico precoce, o tratamento da doença de Perthes é realizado por meio de redução de atividade física e uso de medicação que recupera a vascularização da articulação do quadril. Se não tratada, também pode evoluir para artrose do quadril na fase adulta.

Outra patologia da infância, a Epfisiólise, também conhecida como Escorregamento da Cabeça do Fêmur, ocorre no início da adolescência e caracteriza-se pelo deslocamento do colo do fêmur em relação à epífise femoral, ou seja, é o escorregamento da cabeça do fêmur na bacia. Além de ter pré-disposição genética, também pode ser causada por excesso de atividade ou trauma. A qualquer sinal de alterações na articulação do quadril, o ortopedista deve ser procurado. Geralmente o tratamento é cirúrgico e, ao fixar a cabeça do fêmur no local onde escorregou, evita a progressão para artrose do quadril.

É importante que crianças portadoras de patologias no quadril recebam diagnóstico e tratamento rápido. Quanto mais cedo o tratamento tiver início, menores são as chances de uma progressão para artrose no futuro. O próprio pediatra pode fazer a avaliação inicial e, em casos de suspeita de alguma alteração na articulação, encaminhar para avaliação com ortopedista do quadril.