Responsável Técnico: Dr. Gladyston Matioski CRM 21048/PR

Displasia do quadril afeta bebês e crianças


A displasia do quadril, também conhecida como luxação congênita do quadril, é um problema ortopédico que causa alterações na articulação do quadril, sobretudo em recém-nascidos, lactentes e crianças. O quadro ocorre devido à má-formação do          acetábulo (superfície articular da bacia que, em conjunto com a cabeça do fémur, formam a articulação do quadril). Essa má-formação faz com que a cabeça do fêmur e a cavidade acetabular não encaixem de forma exata e rodem numa posição incorreta.

Entre os fatores de risco para displasia de desenvolvimento do quadril incluem-se:

  • Bebês do sexo feminino: a doença é mais frequente nas meninas porque durante a gestação, elas são mais suscetíveis a certos hormônios maternos que causam relaxamento dos ligamentos das articulações;
  • Apresentação pélvica no parto (quando o bebê não dá a volta e fica com o bumbum ou os pés virados na direção do canal de parto) e, especialmente, quando o joelho também está esticado para além do seu limite, causando um desalinhamento na rótula (hiperextensão do joelho);
  • Quantidade reduzida de líquido amniótico no útero;
  • Bebês nascidos abaixo do peso;
  • Gravidez de gêmeos (menos espaço no útero);
  • História familiar (displasia de desenvolvimento do quadril confirmada em um familiar em primeiro grau ou em mais que um familiar mais distante).

Diagnóstico

Geralmente o pediatra se dá conta da existência de uma anomalia na articulação do quadril no primeiro ano de vida do bebê, já que todos os recém-nascidos passam por testes chamados de Manobras de Ortolani-Barlow, exame físico que realiza a adução do quadril, (trazendo em direção à linha média) enquanto se aplica uma pequena pressão sobre o joelho, direcionando a força posteriormente. Se o quadril é deslocado - ou seja, se pode ser deslizado para fora do acetábulo com esta manobra - o teste é considerado positivo.

Caso o pediatra considere necessário, poderá solicitar exames de imagem como ecografia ou raio-x para confirmar ou não a presença da displasia de quadril.

Tratamentos para a displasia do quadril

Quando se verifica algum indício da doença em recém-nascidos com idade inferior a duas semanas, o pediatra pode decidir aguardar mais algum tempo para observar como evolui a situação. Na maior parte dos casos, o quadril estabiliza pouco tempo após o nascimento, à medida que a cabeça do fémur e o acetábulo se desenvolvem.

Se o problema não passar naturalmente, os bebês precisam usar um suspensório chamado de Pavlik que mantem o quadril firme e evita um descolamento total. O suspensório garante a estabilidade do quadril, permitindo que os ossos cresçam normalmente. Este tratamento dura entre 2 a 3 meses e tem uma taxa de eficácia próxima de 95%.

Quando o diagnóstico é realizado tardiamente, após os 6 meses de vida, poderá ser necessário recorrer à cirurgia para posicionar os ossos da articulação do quadril na posição correta.

Nas situações em que o diagnóstico é realizado em idade precoce, o quadril deverá estar completamente normal por volta dos dois anos de idade. Se o problema não for devidamente tratado e acompanhado, podem surgir complicações como dificuldade de marcha, dores articulares, uma perna mais curta do que a outra ou artrose do quadril.